O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ FICA ELOGIANDO A INTELIGÊNCIA DE UMA CRIANÇA

July 25, 2016

 

Gabriel é um menino esperto. Cresceu ouvindo isso.

 

Andou, leu e escreveu cedo. Vai bem nos esportes.

 

É popular na escola e as provas confirmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.

 

“Esse menino é inteligente demais”, repetem orgulhosos os pais, parentes e professores.

 

“Tudo é fácil pra esse malandrinho”.

 

Porém, ao contrário do que poderíamos esperar, essa consciência da própria inteligência não tem ajudado muito o Gabriel nas lições de casa.

 

– “Ah, eu não sou bom para soletrar, vou fazer o próximo exercício”.

 

Rapidamente Gabriel está aprendendo a dividir o mundo em coisas em que ele é bom, e coisas em que ele não é bom.

 

A estratégia (esperta, obviamente) é a base do comportamento humano: buscar prazer e evitar a dor. No caso, evitar e desmerecer as tarefas em que não é um sucesso e colocar toda a energia naquelas que já domina com facilidade.

 

Mas, como infelizmente a lição de casa precisa ser feita por inteiro, inclusive a soletração, de repente a auto-estima do pequeno Gabriel faz um… crack.

 

Acreditar cegamente na sua inteligência à prova de balas, provocou um efeito colateral inesperado: uma desconfiança de suas reais habilidades.

 

Inconscientemente ele se assusta com a possibilidade de ser uma fraude, e para protegê-lo dessa conclusão precipitada, seu cérebro cria uma medida evasiva de emergência: coloca o rótulo dourado no colo, subestima a importância do esforço e superestima a necessidade de ajuda dos pais.

 

A imagem do “Gabriel que faz tudo com facilidade” , a do “Gabriel inteligente” (misturada com carinho), precisa ser protegida de qualquer maneira.

 

Gabriel não está sozinho. São muitos os prodígios, vítimas de suas próprias habilidades de infância e dos bem intencionados e sinceros elogios dos adultos.

 

Nos últimos 10 anos foram publicados diversos estudos sobre os efeitos de elogios em crianças. 

 

Um teste, realizado nos Estados Unidos com mais de 400 crianças da quinta série (Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success) trouxe resultados interessantes:

 

Carol realizou uma série de estudos com essa turma. Um deles era composto de 4 provas. Na 1ª, alunos da 5ª série fizeram um teste de QI, simples para estudantes da sua idade. Terminado o teste, os pesquisadores davam as notas aos estudantes, e encerravam a conversa com um elogio. Metade deles ouvia

 

"Você deve ser muito inteligente". 

 

Para a outra metade, o texto era diferente - não parabenizava o aluno diretamente, e sim sua atitude: "Você deve ter se esforçado muito para conseguir esse resultado."

 

Carol e sua equipe queriam dividir os alunos em dois grupos -"os inteligentes" e "os esforçados" - para ver o impacto da diferenciação no comportamento das crianças.

 

O impacto apareceu rapidinho, já na 2ª tarefa. Nela, os estudantes tiveram a chance de fazer sua escolha: um teste simples, tão fácil quanto o 1º, ou um mais complicado, que "faria com que eles aprendessem muitas coisas novas".

 

O grupo dos inteligentes escolheu o teste fácil. O dos esforçados foi mais corajoso - optou pela prova difícil. Aí veio o 3º teste, bem mais complexo que os anteriores. Os dois grupos se deram mal. Só que os esforçados - justificando o apelido - se dedicaram muito mais à resolução da prova.

 

Os inteligentes? Esses aí ficaram extremamente nervosos. Mal conseguiram terminar o teste. 

 

A grande surpresa, no entanto, veio na 4ª prova. Essa era barbada, tão fácil quanto a primeira. O resultado: os elogiados pelo esforço melhoraram em 30% a nota que haviam tirado na 1ª prova. Já os inteligentes foram mal - o desempenho deles despencou 20%. 

 

Resultados

 

Uma criança elogiada pela inteligência entende o seguinte: "Tenho que ser sempre inteligente, porque essa é a imagem que os adultos têm de mim". Mas manter um alto nível de inteligência não parece uma tarefa um tanto abstrata? Imagine para uma criança. O jeito é adotar a saída genérica (e mais fácil): parecer inteligente.

 

Para isso, basta criar uma zona de segurança. Evitar provas difíceis, cursos complicados, qualquer desafio que possa representar um risco à imagem. Já na cabeça do aluno elogiado pelo esforço, o pensamento é outro: se passou por esse desafio, pode vencer o próximo - basta tentar.

 

"Por isso o elogio deve ser dirigido para o processo, e não para o resultado", diz Carol. "Sempre para as ações, nunca para a pessoa."

 

Refugiar-se nessa zona de segurança não é coisa de criança. Adolescentes e adultos fazem isso. Garotas gostam de sentir-se atraentes, certo? Se uma menina recebe cantadas na faculdade sempre que está maquiada, por que iria à aula de cara limpa? Vai que alguém percebe que ela não é tão gata assim... E aquele amigo que sabe tudo de cinema e tem fama de culto? Talvez ele não entre na próxima discussão que vocês tiverem sobre Camus. Se ele não souber muito sobre literatura, a conversa tem potencial para destruir a reputação dele na patotinha.

 

A zona de segurança até é capaz de evitar que a imagem desse pessoal - e a sua, porque você talvez já tenha recorrido a ela - saia arranhada. Mas também gera o medo de arriscar. Pode fazer alguém evitar uma promoção no trabalho, uma mudança de cidade, uma pós-graduação difícil... Qualquer desafio. Como Carol Dweck descobriu em suas pesquisas. "Conversei com vários adultos considerados gênios na infância que nem concluíram a universidade", diz. "Eles não sabiam lidar com o fracasso."

 

Identificou-se com algum desses casos? Não se culpe, é natural buscar uma área de conforto - nosso cérebro faz isso. Tanto que, se você receber elogios constantemente, ele vai achar que você já está em um ótimo patamar. E vai parar de trabalhar para ajudar você nas próximas conquistas. 

 

Não, ele não está conspirando contra você. Só deu uma

descansada. Sempre que ganhamos parabéns por algo, o cérebro entende isso como uma recompensa. Você fez algo bom e recebeu um agradinho. Ponto para você. Mas o cérebro quer que você acumule mais pontos, e por isso incentiva iniciativas ousadas. É a nossa motivação, gerada por uma área do cérebro chamada centro de recompensa. "Está aí o segredo da persistência", diz o psiquiatra Robert Cloninger, da Universidade Washington de St. Louis, Missouri. "O corpo trabalha com determinação depois que aprende a lição."

 

O problema é quando acumulamos elogios - ou pontos - demais. O cérebro entende que nem precisa mais mandar a mensagem de incentivo. É como se o centro de recompensa se aposentasse da torcida pelo seu sucesso. Pior para você: sem esse apoio, você acaba sem motivação para fazer as tarefas. Sem disposição para buscar a tal bolsa de estudos no exterior ou criar aquele projeto novo no escritório.

 

Moral da história: seja por medo de arriscar, seja por falta de vontade, uma pessoa talentosa e devidamente elogiada pode se dar pior na vida do que alguém meramente esforçado.

 

Por fim, se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga que ele é inteligente. Diga que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.

 

Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa.

 

 

Observações importantes: 

 

1. Não somos contra elogiar crianças. assim como não estamos dizendo para você nunca falar para o seu filho que ele é inteligente. É apenas uma questão de evitar o RÓTULO.

 

2. Não somos autores dessa tese/teoria, muito menos do estudo citado no post. Quem escreveu essa teoria foi a psicóloga Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success (http://news.stanford.edu/news/2007/february7/dweck-020707.html) como já foi citado acima.

 

3. Comente e compartilhe a sua opinião conosco! Ela é muito importante pra nós, além de promover um debate interessante sobre esse assunto que está em alta mundo afora. Você realmente acredita que essa mentalidade pode favorecer o desenvolvimento cognitivo do seu filho? 

 

(Via updateordie) e (SuperInteressante)

 

 

 

 

 

 

 

 

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